A Luz da Ressurreição 

No amanhecer daquele primeiro dia da semana, Maria Madalena caminha até o túmulo levando o peso da dor e da saudade. Envolta pela escuridão, ela descobre o sepulcro vazio e, sem compreender, sente nascer em seu coração um sinal de esperança. O Evangelho de João (20,1-9) nos coloca diante desse cenário onde a morte parecia ter vencido, mas, na verdade, estava derrotada. O túmulo aberto não é sinal de roubo, mas de vitória: a morte não teve a última palavra.

Essa cena ecoa o anúncio feito por Pedro, na casa de Cornélio (Atos 10,34a.37-43): “Deus o ressuscitou ao terceiro dia e concedeu-lhe manifestar-se aos que foram escolhidos como testemunhas”. A Ressurreição não é um conto piedoso, mas um fato testemunhado, vivido e proclamado pelos apóstolos e discípulos. Pedro confirma que Jesus, após ter passado pela cruz e pela morte, agora é o Senhor da vida, e que todo aquele que nele crê recebe o perdão dos pecados.

O Salmo 117(118) canta essa vitória com alegria: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!”. Ele exalta o poder libertador de Deus que não abandona seus filhos na aflição. Assim como o salmista proclama: “Não morrerei, mas ao contrário, viverei, para cantar as grandes obras do Senhor”, também somos convidados a assumir essa certeza pascal em nossa existência.

A Carta aos Colossenses (3,1-4) nos exorta a viver essa nova vida: “Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto”. A Páscoa é, mais que um rito, uma transformação. É deixar que a luz da Ressurreição ilumine nossos pensamentos, decisões e esperanças. O túmulo vazio significa que nossas realidades de morte — medos, tristezas, fracassos — também podem ser vencidas pela graça de Deus.

No Evangelho, Pedro e o discípulo amado correm ao sepulcro. Um chega primeiro, mas é Pedro quem entra. Cada um, à sua maneira, é chamado a fazer o caminho da fé. João viu e acreditou, não por provas, mas pelo coração aberto ao mistério de Deus. Isso nos ensina que a verdadeira fé pascal nasce da escuta da Palavra e da abertura ao novo que Deus realiza em nós.

Por isso, a alegria pascal não está apenas nos ritos, mas na certeza de que Cristo está vivo e caminha conosco. A cada amanhecer, mesmo que marcado pela dor, a luz da Ressurreição renova a esperança, confirma a vida e nos faz proclamar: Cristo ressuscitou! Verdadeiramente, aleluia!

Que essa verdade ilumine sua missão e sua vida. Deus te abençoe.

Feliz e Santa Páscoa.

Com as bênçãos do

Diácono Miguel A. Teodoro 

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(2Coríntios 9,7)

 

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