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Meditações do Papa

A graça da alegria


MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA

NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

 Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 36 de 08 de Setembro de 2013

Ser cristão significa sentir a alegria de pertencer totalmente a Cristo, «único esposo da Igreja» e ir ao encontro dele como se fôssemos para uma festa de casamento. Portanto, a alegria e a consciência da centralidade de Cristo são as duas atitudes que os cristãos devem cultivar no dia-a-dia. Recordou o Papa Francisco na homilia da missa celebrada na sexta-feira, 6 de Setembro.

A reflexão do Papa Francisco inspirou-se no episódio evangélico proposto pela liturgia, no qual o evangelista Lucas narra o confronto entre Jesus, os fariseus e os escribas sobre o facto que os discípulos que estão com ele comem e bebem enquanto os outros jejuam (Lc 5, 33-39). O Pontífice explicou o que Jesus, na sua resposta aos escribas, quer fazer entender. Ele apresenta-se como esposo: «Ele é o esposo. A Igreja é a esposa. E no Evangelho — frisou o Papa — muitas vezes esta imagem volta: as virgens prudentes que esperam o esposo com as lâmpadas acesas; a festa que o pai faz para as núpcias do filho». Com a sua resposta aos escribas, explicou o Pontífice, «o Senhor diz que quando se é esposo não se pode jejuar, não se pode ficar triste. O Senhor faz-nos ver aqui a relação entre ele e a Igreja como núpcias». Eis, explicou, «o motivo mais profundo pelo qual a Igreja protege muito o sacramento do matrimónio. E chama-o sacramento grande porque é precisamente a imagem da união de Cristo com a Igreja». Portanto, quando se fala de núpcias «fala-se de festa, de alegria; e isto indica a nós cristãos uma atitude»: o cristão quando encontra Jesus Cristo e começa a viver segundo o Evangelho, deve fazê-lo com alegria. Uma alegria «porque é uma grande festa».

Quando o Senhor passa na nossa vida, diz-nos sempre uma palavra e faz-nos uma promessa. Mas pede-nos também para nos despojarmos de algo e confia-nos uma missão. Recordou o Papa Francisco durante a missa celebrada na manhã de quinta-feira, 5 de Setembro.

O Senhor passa na nossa vida como aconteceu na vida de Pedro, de Tiago e de João. Neste caso, o Senhor passou na vida dos seus discípulos com um milagre. Mas, esclareceu o Papa, «Jesus nem sempre passa na nossa vida com um milagre». Embora, acrescentou ainda, «faz-se sempre ouvir. E quando o Senhor passa, diz-nos algo, faz-nos sentir algo, depois diz-nos uma palavra, que é uma promessa; pede-nos algo no nosso modo de viver, que deixemos algo, para nos desprendermos das coisas. Além disso, confia-nos uma missão».

Estes três aspectos da passagem de Jesus na nossa vida estão bem representados no trecho de Lucas. O Senhor, quando vem à nossa vida, quando passa no nosso coração, diz-nos sempre uma palavra e faz-nos uma promessa: «Vai em frente, com coragem, não temas: tu farás isto!». É um «convite a segui-lo». E «quando ouvimos este convite e constatamos que na nossa vida há algo errado, devemos corrigi-lo» e devemos estar prontos para deixar qualquer coisa, com generosidade. Por fim, o momento da missão: a oração ajuda-nos sempre a compreender o que «devemos fazer». Eis então a síntese do nosso orar: «Ouvir o Senhor, ter a coragem de nos despojarmos de algo que nos impede de o seguir imediatamente e, por fim, assumir a missão». Isso não quer dizer que não se devem enfrentar algumas tentações. Pedro, recordou o Papa Francisco, pecou gravemente renegando Jesus. Mas depois o Senhor perdoou-o, Tiago e João pecaram devido ao carreirismo. Mas também a eles o Senhor concedeu o perdão. Por conseguinte, é importante rezar tendo bem presentes estes três momentos.

A humildade, a mansidão, o amor, a experiência da cruz são os meios através dos quais o Senhor derrota o mal. E a luz que Jesus trouxe ao mundo vence a cegueira do homem, muitas vezes deslumbrado pela falsa luz do mundo, mais poderosa mas enganadora. Cabe a nós saber discernir qual é a luz que vem de Deus. Este é o sentido da reflexão proposta pelo Papa Francisco durante a missa celebrada na terça-feira de 3 de Setembro.

Ao comentar a primeira leitura, o Santo Padre meditou sobre a «boa palavra» que são Paulo dirigiu aos Tessalonicenses. Onde parece claro o que o apóstolo quer dizer: «a identidade cristã é identidade da luz, não das trevas». E Jesus trouxe esta luz ao mundo. Hoje — acrescentou o Pontífice — pensamos que seja possível obter esta luz que rasga a escuridão através das descobertas científicas e de outras invenções do homem. Mas «a luz de Jesus — admoestou o Papa — não é uma luz de ignorância! É uma luz de sabedoria, de conhecimento. A luz que o mundo nos oferece é uma luz artificial. Forte como um fogo de artifício, como um flash de fotografia. Ao contrário a luz de Jesus é uma luz humilde, é uma luz suave, uma luz de paz. É como a luz da noite de Natal: sem pretensões. Não faz espectáculo; vem do coração. É verdade que o demónio muitas vezes vem disfarçado como anjo de luz. Ele gosta de imitar a luz de Jesus».

«Peçamos ao Senhor — foi a exortação conclusiva do Papa Francisco — que nos dê hoje a graça da sua luz e nos ensine a distinguir quando a luz é a sua luz e quando é uma luz artificial irradiada pelo inimigo para nos enganar».

Foi profunda a reflexão proposta pelo Papa Francisco na homilia da missa celebrada na segunda-feira de 2 de Setembro.

A língua, a tagarelice, o mexerico são armas que todos os dias insidiam a comunidade humana, semeando inveja, ciúmes e ganância do poder. Com elas chega-se até a matar uma pessoa. Portanto, falar de paz significa também pensar em quanto mal se pode fazer com a língua. O Papa inspirou-se na narração do regresso de Jesus a Nazaré, proposta por Lucas (4, 16-30) num dos mais «dramáticos» trechos do Evangelho, no qual — afirmou o Pontífice — «é possível ver como a nossa alma é realmente». Em Nazaré — explicou o Papa — todos esperavam Jesus, que pela primeira vez regressava ao seu país, porque ouviram falar sobre tudo o que ele tinha feito em Cafarnaum, os milagres. «Eles — esclareceu ainda o Pontífice — queriam o espectáculo. Mas Jesus não é um artista». Jesus não fez milagres em Nazaré. Aliás, realçou a pouca fé dos que pediam o «espectáculo». O que começara de forma jubilosa ameaçava de se concluir com um crime, o assassínio de Jesus «devido aos ciúmes, à inveja». Mas não se trata só de um evento de há dois mil anos, evidenciou o bispo de Roma. «Isso acontece todos os dias no nosso coração, nas nossas comunidades» todas as vezes que se acolhe alguém falando, no primeiro dia, bem dele e, depois, cada vez menos até chegar ao mexerico, quase para «o destruir». Quem, numa comunidade, fala mal contra um irmão acaba por «querer matá-lo», frisou o Pontífice.

Por conseguinte, pergunta o Papa: como podemos construir uma comunidade? Do modo «como é o céu», respondeu; do modo como anuncia a Palavra de Deus. Portanto, «para termos paz numa comunidade, numa família, num país, no mundo, devemos começar a estar com o Senhor. E onde está o Senhor não existe a inveja, a criminalidade, os ciúmes, mas há fraternidade.

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