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Meditações do Papa

Não se pode domesticar o Espírito


MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA

 NA CAPELA DA DOMUS SANCTAE MARTHAE

 Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 16 de 21 de Abril de 2013

«Hoje é o aniversário de Bento XVI. Ofereçamos a missa por ele, para que o Senhor esteja com ele, o conforte e lhe dê muita consolação». No início da celebração eucarística presidida na terça-feira 16 de Abril, na capela da Domus Sanctae Marthae, o primeiro pensamento do Papa Francisco foi dirigido ao seu predecessor no dia do seu octogésimo sexto aniversário. E recordou também as vítimas do atentado de Boston. Entretanto a homilia foi a ocasião para advertir quantos se deixam seduzir pela tentação de opor resistência ao Espírito Santo. «O Espírito — afirmou com doçura — não se domestica!».

Não foi ocasional a referência do Pontífice ao concílio Vaticano II que, disse, «constituiu uma bonita obra do Espírito Santo. Pensai no Papa João: parecia um pároco bom e ele foi obediente ao Espírito Santo», realizando o que o Espírito desejava. «Mas após cinquenta anos — questionou-se — fizemos tudo o que nos disse o Espírito Santo no concílio», naquela «continuidade no crescimento da Igreja que foi o concílio?».

«Não» foi a sua resposta. «Festejamos este aniversário — explicou — quase que erigindo «um monumento» ao concílio, mas preocupamo-nos sobretudo que «não incomode. Não queremos mudar». Aliás: «há vozes que gostariam de voltar para trás. Isto chama-se “ser teimoso”, chama-se querer “domesticar o Espírito Santo”, chama-se tornar-se “insensatos e lentos de coração”».

O Papa referiu-se à primeira leitura tirada dos Actos dos Apóstolos (7, 51-8, 1a). «As palavras de Estêvão — afirmou — são fortes: “Teimosos e não circuncisos no coração e nos ouvidos, vós opondes sempre resistência ao Espírito Santo. Como os vosos pais, assim sois também vós. Qual dos profetas os vossos pais não perseguiram? Eles mataram os que prenunciavam a vinda do Justo, do qual agora vos tornastes traidores e assassinos”. “Assassinastes” os profetas, depois fizestes-lhes um bonito túmulo, um monumento, não? — não sei se se diz exactamente assim — e depois de os terdes matado, veneraste-los. Eis que se manifesta a resistência ao Espírito Santo. Também o próprio Jesus, um pouco mais suavemente, o diz, com mais mansidão, aos discípulos de Emaús: “Insensatos e lentos de coração, que acreditais em tudo o que anunciaram os profetas!”».

Também entre nós, acrescentou o Pontífice, se manifesta a resistência ao Espírito Santo. Aliás, «para dizer claramente, o Espírito Santo incomoda-nos. Porque — explicou — move-nos, faz-nos caminhar, impele a Igreja para a frente. E nós somos como Pedro na transfiguração: “Ah, que bom permanecer assim, todos unidos!”. Mas que não nos incomode. Queremos que o Espírito Santo nos adormeça. Queremos domesticar o Espírito Santo. E isto não está bem. Porque ele é Deus e é aquele vento que vai e vem, e tu não sabes de onde. É a força de Deus; é aquele que nos dá a consolação e a força para continuar. Mas para ir em frente! E isto incomoda. A comodidade é melhor. Poderíeis dizer: “Mas, padre, isto acontecia naqueles tempos. Agora estamos todos contentes com o Espírito Santo”. Não, não é verdade! Esta tentação existe ainda hoje», como demonstra a experiência da recepção do concílio Vaticano II.

«Também na nossa vida pessoal, na vida particular — continuou o Papa — acontece o mesmo: o Espírito impele-nos a empreender um caminho mais evangélico, e nós: “Mas não, está bem assim, Senhor...”». Eis a exortação conclusiva: «Não opor resistência ao Espírito Santo». Porque «é o Espírito que nos torna livres, com a liberdade de Jesus, com a liberdade dos filhos de Deus! Não opor resistência ao Espírito Santo: esta é a graça que gostaria que todos nós pedíssemos ao Senhor; a docilidade ao Espírito Santo, ao Espírito que vem até nós e nos faz ir em frente no caminho da santidade, a santidade tão bonita da Igreja. A graça da docilidade ao Espírito Santo».

E a quantos participaram na missa no dia seguinte, 17 de Abril, o Papa recordou que a Igreja não pode ser «uma babysitter que procura fazer adormecer uma criança». Se assim fosse seria «uma Igreja adormecida». Quem conheceu Jesus tem a força e a coragem de o anunciar. E quem recebeu o baptismo tem a força de caminhar, de ir em frente, de evangelizar e «quando fazemos isto a Igreja torna-se uma mãe que gera filhos» capazes de levar Cristo ao mundo.

A calúnia esteve no centro na reflexão da missa celebrada na manhã de segunda-feira, 15 de Abril. Referindo-se ao Salmo 118 da liturgia do dia, o Papa Francisco explicou que a calúnia destrói a obra de Deus, porque nasce do ódio. Ela é filha do «pai da mentira» e quer aniquilar o homem, afastando-o de Deus. Na Igreja «há muitos homens e mulheres que são caluniados, perseguidos e assassinados por ódio a Jesus, por ódio à fé». Alguns são mortos porque «ensinam o catecismo»; outros, porque «carregam a cruz». A calúnia encontra espaço em muitos países, onde os cristãos são perseguidos. «Eles são nossos irmãos e irmãs — sublinhou o Papa — que hoje sofrem, neste tempo de mártires. Temos que pensar nisto».

Depois, o Pontífice observou que a nossa época está caracterizada por «mais mártires do que nos primeiros séculos. Perseguidos por causa do ódio: é precisamente o diabo que semeia o ódio naqueles que fomentam as perseguições». Por fim, o Papa exortou a ter confiança em Maria, a dirigir-lhe a oração que começa com as palavras «Sob a tua protecção» e a recordar o antigo ícone onde, «com o seu manto cobre o seu povo: é a mãe». É a coisa mais útil neste tempo de «ódio, em períodos de perseguição e de turbulência espiritual», porque — concluiu — «o lugar mais seguro é sob o manto de Nossa Senhora».

Para resolver os problemas da vida é preciso encarar a realidade, prontos, como o guarda-redes de uma equipa de futebol, a impedir a entrada da bola de onde quer que ela chegue. E sem ceder ao medo ou à tentação da lamentação, porque Jesus está sempre ao lado de cada homem, também e sobretudo nos momentos difíceis. Disse o Papa Francisco na missa celebrada na manhã de sábado 13 de Abril.

Um problema, disse o Papa, não se resolve se nos limitamos a dizer «não gosto» e começamos «a murmurar ou a mexericar». E «não é uma boa atitude disfarçar a vida, fazer maquiagem na vida». Não, não. A vida é como é. É a realidade. É como Deus quer que seja ou como Deus permite que seja. Mas é como é, e devemos aceitá-la assim. O Espírito do Senhor indicar-nos-á a solução para os problemas».

«Também no Evangelho — explicou o Papa comentando o trecho de são João (6, 16-21) que foi lido — acontece uma coisa semelhante. Os discípulos estavam contentes porque tinham visto que os cinco pães nunca acabavam. Deram de comer a muitas pessoas, muitíssimas. Dirigiram-se para a outra margem, com a barca, e chegou um vento forte: o mar agitou-se e tiveram medo. Encontravam-se em dificuldade. E o Senhor veio até eles para os ajudar. Assustaram-se, mas Ele disse-lhes: “Não temais, sou eu!”. Esta é a palavra de Jesus, sempre: nas dificuldades, nos momentos obscuros, nos quais tudo é sombra e não sabemos o que fazer, também quando há escuridão na nossa alma. A vida é assim. Hoje é assim, com esta escuridão. Mas o Senhor está presente. Não tenhamos medo! Não temamos as dificuldades, não tenhamos medo quando o nosso coração está triste, quando está sombrio! Aceitemos tudo como vem, com o Espírito do Senhor e a ajuda do Espírito Santo. E deste modo vamos em frente, certos no caminho justo».

O Papa Francisco concluiu a homilia com a exortação a pedir ao «Senhor esta graça: não ter medo, não pintar a vida» para ser capazes de «aceitar a vida como é e procurar resolver os problemas como os apóstolos fizeram. E também procurar o encontro com Jesus que está sempre ao nosso lado, inclusive nos momentos mais obscuros da vida».

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